A sua dieta pode resultar em diabetes?

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Redação
A sua dieta pode resultar em diabetes?

Antes de tentar uma dieta popular para ajudar a prevenir diabetes, considere como o programa pode afetar os seus níveis de açúcar no sangue.
Ao redor do globo, mais e mais pessoas estão mudando suas dietas com o intuito de conseguir o peso ideal para o seu corpo. De acordo com o relatório de 2015 da Nielsen Global Health and Wellness, 83% das pessoas na América do Norte noticiaram mudar a sua dieta para tentar perder peso, enquanto 11% na região informaram usar pílulas populares de dieta, barras e shakes (batidas) para perder quilos extras. Na verdade, o Boston Medical Center estima que 45 milhões de americanos fazem uma dieta a cada ano, gastando cerca de 33 bilhões de dólares em produtos para perder peso anualmente.
Enquanto a maioria de nós persegue esses esforços para alcançar uma cintura atraente, o que decidimos como alimento para os nossos corpos afeta mais do que apenas nosso peso: Para aquelas pessoas em que a biologia e a genética potencialmente deixaram-nas com um maior risco de doenças- como, pré-diabetes e diabetes tipo 2- é importante ter em mente as características de uma dieta popular ao escolher uma para seguir. Isso porque o que escolhemos comer pode ter um impacto direto nos nossos riscos dessas doenças, diz Lori Chong, dietista registrada no Centro Médico Ohio State University Wexne em Columbus.
“O problema subjacente na diabetes tipo 2 é a resistência à insulina e existem vários fatores dietéticos que podem aumentar a resistência à insulina”, explica Chong.
Planos alimentares podem também ter um grande impacto na saúde em longo prazo, especialmente quando se come demais ou se segue um plano que exige a omissão de certos grupos de alimentos e nutrientes ao longo do tempo. Aqui estão apenas algumas das dietas que podem influenciar a forma como seu corpo controla o açúcar no sangue e, por sua vez, afetar potencialmente seu risco de diabetes tipo 2.

Dieta Sem Glúten
O que é?
Pessoas que seguem a dieta sem glúten evitam consumir a proteína glúten, encontrada em trigo, cevada, centeio e outros grãos. Como resultado, elas geralmente evitam comidas como pão, massa, doces e pizza- ou substituem por alternativas sem glúten feitas de outros grãos, como farinha de arroz ou farinha de amêndoa.

Possível impacto no risco de diabetes
Embora os dados sugiram que um número crescente de americanos sem doença celíaca está seguindo uma dieta sem glúten, os especialistas geralmente não recomendam a pessoas sem sensibilidade celíaca ou glúten experimentarem este plano de alimentação – especialmente não para ajudar a prevenir a diabetes. Isso porque muitos produtos sem glúten contêm grãos refinados, não inteiros, diz Cara Lowenthal, mestre em saúde pública, educadora certificada em diabetes, uma dietista registrada no Joslin Diabetes Center em Boston, Massachusetts.
Quando a porção rica em fibra de grãos sem glúten é removida durante o processo de produção (em um esforço para torná-la mais parecida com as versões originais contendo glúten), elas elevam o índice glicêmico (IG), explica Lowenthal. O índice glicêmico atribui a vários carboidratos um valor entre 0 e 100 com base em quão rapidamente eles aumentam os níveis de açúcar no sangue. Os carboidratos simples, como o açúcar e o pão branco, são alimentos de alto IG, enquanto os carboidratos complexos, como os grãos integrais, são alimentos de baixo IG, de acordo com a Harvard School of Public Health. “Isso não significa que todos os produtos sem glúten sejam elevados em carboidratos refinados, mas muitos deles tendem a ser”, diz Lowenthal.

Conclusão
Se você não tem doença celíaca, mas está comendo produtos processados sem glúten, você pode estar consumindo inúmeras tarifas que foram despojadas de sua fibra, aumentando assim o risco de picos de açúcar no sangue e potencialmente provocando mais produção de insulina. Esse efeito pode levar à resistência de insulina- a característica da diabetes tipo 2 – no futuro, explica Lowenthal.
Por exemplo, em um estudo publicado em março de 2014 no British Journal of Nutrition, um maior consumo de arroz refinado e macarrão foi associado a maiores concentrações de glicose em jejum no sangue- o que sugere que o alto consumo dessas comidas pode contribuir para um aumento de açúcar no sangue causado por uma maior resistência à insulina, de acordo com os autores do estudo.
Ademais, a dieta “poderia aumentar a percentagem de carboidratos de alguém, só porque os produtos sem glúten tendem a ser um pouco mais elevados em carboidratos do que os seus homólogos de trigo,” adiciona Chong, que estava envolvida no estudo de março de 2014.
Claro, se você estiver procurando por alimentos integrais nutritivos naturalmente sem glúten e evitando alimentos processados, é menos provável que você experimente isso, nota Lowenthal. Os alimentos que se encontram neste grupo incluem vegetais polissacarídeos, fontes de proteína, como feijão e aves domésticas e gorduras como nozes e abacates.

Dieta Cetogênica
O que é?
A dieta cetogênica ou “ceto” exige uma redução significativa dos carboidratos na tentativa de forçar o corpo a queimar gordura ao invés de carboidratos por energia. Visto que o alto consumo de carboidratos é associado a picos de açúcar no sangue e ganho de peso, a dieta ceto tornou-se uma escolha popular entre as pessoas com diabetes tipo 2, bem como algumas celebridades.

Possíveis impactos no risco de diabetes
Embora possa haver alguns benefícios potenciais para a saúde ao seguir a dieta ceto para prevenir e gerenciar diabetes, cortar todos os carboidratos pode ser perigoso para o corpo – mesmo para as pessoas com diabetes. Apesar de ser um equívoco comum de que os carboidratos devem ser evitados se você tiver a doença, é realmente verdade que esse grupo ainda precisa desses tipos de alimentos para que seus corpos funcionem corretamente.
Outrossim, ao eliminar esse grupo de alimentos, as pessoas que seguem a dieta ceto podem consumir muita gordura saturada, como a da manteiga, óleo de coco e nata, que podem contribuir para a resistência à insulina, diz Chong. Porque as pessoas que seguem a dieta ceto estão limitando os carboidratos, elas, muitas vezes, acabam obtendo mais de suas calorias através das gorduras- incluindo gorduras animais (novamente saturadas) encontradas em carnes e produtos lácteos contendo gorduras, o que pode contribuir para o aumento de peso e resistência à insulina.
Além disso, ao reduzir o número de carboidratos que você consome, você pode estar perdendo algumas fibras que você colheria de certos alimentos, como aveia, lentilhas, mirtilos e nozes. Essa restrição pode levar a outros problemas, como colesterol alto e alteração da resposta ao açúcar no sangue, diz Lowenthal.
A pesquisa publicada no American Journal of Nutrition até descobriu que uma dieta cheia de grãos inteiros ricos em fibras poderia ajudar a reduzir a incidência de diabetes tipo 2 no grupo de estudo masculino. Embora as descobertas tenham sido restritas a uma população masculina, elas se alinham com o que os pesquisadores já sabem – ter uma dieta rica em fibras pode promover níveis saudáveis de glicose no sangue. Os alimentos fibrosos incluem aveia, lentilhas, mirtilos e nozes.

Conclusão
Ao seguir uma dieta certo, você pode perder nutrientes importantes, como fibra, e pode, na verdade, aumentar o seu risco de diabetes tipo 2. E tendo em vista que as gorduras são mais densas em calorias do que proteínas ou carboidratos, você pode realmente acabar comendo mais calorias do que você pretendia, explica Lowenthal. Isso pode levar potencialmente ao ganho de peso involuntário e ao aumento do risco de diabetes tipo 2.
Se você faz uma dieta ceto, certifique-se de que você está obtendo o suficiente de fibras e outros nutrientes. O mais importante, tenha certeza de que não está comendo gordura em excesso, diz Chong. Para garantir que essas recomendações sejam cumpridas, considere uma colaboração com um nutricionista para encontrar um método seguro que atenda seus objetivos individuais.

Dieta Paleo
O que é?
Os seguidores da dieta paleo evitam grãos, feijões e alimentos processados e voltam aos grupos de alimentos que nossos antepassados presumivelmente comiam: nozes, sementes, frutas, vegetais e carnes. A dieta visa cortar açúcares refinados, álcool e outros alimentos chamados de frankenfoods – ou seja, aqueles alimentos que foram alterados de seu estado original – que os defensores acreditam que contribuem para ganhar peso e muitas doenças modernas.

Possível impacto no risco de diabetes
“A dieta paleo é muito elevada em gorduras saturadas, o que poderia promover a resistência à insulina”, diz Lowenthal. De acordo com um estudo publicado em fevereiro de 2017 no American Journal of Clinical Nutrition, o consumo de alimentos como queijo e manteiga cheios de gordura- ambos com alto teor de gorduras saturadas – foi associado a um maior risco de diabetes tipo 2.
Lowenthal também observa que a eliminação de grandes grupos de alimentos, como grãos ou produtos lácteos, também pode aumentar seu risco de diabetes se ele levar ao consumo de calorias em excesso de outra fonte de alimento denso em calorias ou se levar a uma dieta que carece de fibra. A pesquisa apóia a idéia de que a fibra é importante para o controle de açúcar no sangue: uma análise publicada em julho de 2015 na revista Diabetologia descobriu que a ingestão total de fibra estava inversamente associada ao risco de diabetes tipo 2.
“Qualquer dieta que reduza grandes grupos de alimentos deve ser discutida com um médico ou nutricionista”, diz Chong. Ela observa que as pessoas devem ser especialmente cautelosas com o ciclo do peso (perda e recuperação repetida de peso) à medida que eles fazem dieta, o que pode aumentar o risco de pré-diabetes – e o que, às vezes, pode ser mais provável se alguém encontrar uma dieta muito restritiva.

Conclusão
Cortar grandes grupos de alimentos seguindo planos como a dieta paleo pode levar você a comer em excesso certos outros grupos de alimentos, incluindo gorduras não saudáveis – o que pode aumentar seu risco de pré-diabetes. Certifique-se de conversar com seu médico antes de começar qualquer dieta restritiva para garantir que você esteja obtendo todos os nutrientes essenciais que seu corpo precisa.

As melhores dietas para a prevenção de diabetes
Se estiver preocupado em limitar o seu risco de diabetes, você não precisa evitar todas as dietas populares. Especialistas como Lowenthal apontam que as seguintes dietas exigem a ingestão de alimentos comprovados como diminuidores do risco de diabetes, bem como outros problemas de saúde, como doença cardíaca:

A Dieta Mediterrânea: Este método enfatiza a ingestão de frutas, vegetais, grãos integrais, proteína magra e gorduras saudáveis, como o azeite, nozes e peixes gordurosos. Ao planejar as refeições, procure seguir as orientações da dieta mediterrânea de cerca de 40 por cento de carboidratos, diz Chong – e tente não ir acima de 50 por cento de carboidratos, a menos que você seja muito ativo.

A Dieta Dash: Essa dieta é outra escolha principal para ajudar a prevenir diabetes, diz Chong. DASH significa “abordagens dietéticas para parar a hipertensão”, e a dieta enfatiza controle de porções, baixo teor de sódio e alimentos como vegetais, frutas e produtos lácteos com baixo teor de gordura.

Ao escolher uma dieta para perda de peso, não fique muito preso aos detalhes, diz Chong. “Muitas vezes tenho a impressão de que as pessoas estão tentando tornar as coisas muito complicadas”, diz Chong. “Eu nem gosto de chamar uma dieta de uma certa dieta. Nós só precisamos voltar aos alimentos inteiros “. Em última análise, a dieta equilibrada terá os melhores resultados para a sua cintura e a sua saúde.

Fonte: Everyday Health

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