Calor na gravidez: Por que o verão é ainda mais perigoso para grávidas

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Redação
Calor na gravidez: Por que o verão é ainda mais perigoso para grávidas

Sinal vermelho

Um clima muito quente não agrada ninguém. Mas para mulheres grávidas, o calor do verão pode ser ainda mais arriscado. Ficar com muito calor (ter as chamadas ondas de calor na gravidez) ou desidratada pode trazer complicações, dizem especialistas.

A desidratação “pode trazer muitos problemas no futuro” para mulheres grávidas, disse a Dra. Aftab, diretora médica. O ideal é evitar qualquer situação em que fiquem com muito calor na gravidez.

 

É normal ter ondas de calor no início da gravidez?

Uma preocupação é que o corpo quente, na fase inicial da gestação possa aumentar o risco de problemas no nascimento. A resposta é SIM, mas o risco é baixo (cerca de 3 em cada 10.000 por ano). Estudos mostram que mulheres com ondas de calor na gravidez nas primeiras 6 a 8 semanas tem risco de terem bebês com problemas cerebrais ou na medula espinhal (conhecidos como defeitos no tubo neural), tal como espinha bífida.

 

O que causam as ondas de calor na gravidez?

As mulheres podem sentir esse sintoma por causa de uma febre, clima muito quente, calor, ou até mesmo um banho muito quente. Na verdade, a Mayo Clinic aconselha as mulheres a não passarem mais de 10 minutos em uma banheira quente devido aos riscos de hipertermia.

A médica Aftab alerta que os riscos ligados a sentir muito calor na gravidez são, em grande parte, limitados às primeiras 8 semanas de gravidez. Em outras palavras, ter ondas de calor na gravidez após 8 semanas dificilmente aumenta o risco de problema no nascimento do seu bebê.

 

Sintomas da desidratação

O corpo passa por muitas mudanças na gravidez, incluindo o controle da temperatura. Como resultado, as mulheres podem ficar desidratadas mais facilmente, ou ter tendência aos sintomas de desidratação.

Sintomas de desidratação podem incluir tontura e delírios, que podem ser perigosos para qualquer um. Grávidas devem ter atenção às quedas. Cair durante o final do segundo e início do terceiro trimestre podem ser prejudiciais tanto para a mãe quanto para o bebê. Além disso, a desidratação faz com que o cérebro produza  um hormônio chamado vasopressina (também chamado de hormônio antidiurético), que desencadeia a sede. Mas esse hormônio é similar à ocitocina, o hormônio envolvido na estimulação das contrações uterinas. É por isso que a desidratação no terceiro trimestre também pode dar contrações nas grávidas.

 

Riscos

Essas contrações, que não são o “parto” verdadeiro, podem ser frequentemente tratadas com reidratação. Contudo, essas contrações podem fazer a mulher entrar em trabalho de parto prematuro. Um parto como esse é arriscado, pois pode causar pressão baixa e baixo volume de sangue, disse Aftab.

Por todas essas razões, é importante que mulheres grávidas fiquem hidratadas. “Sabemos que não vão acontecer muitas coisas boas se a mãe estiver desidratada” na gravidez, disse Aftab.

Algumas pesquisas até relacionaram climas quentes em certas regiões a um aumento no risco de partos prematuros.

 

Clima quente e gravidez

Como o Brasil costuma ter temperaturas altas no verão, grávidas devem prestar atenção aos sinais de alerta e conhecer os riscos da gestação nesse clima. Por exemplo, em um estudo, pesquisadores descobriram que lugares com temperatura média acima de 15 graus estava aumentavam em 16% o risco do bebê nascer com baixo peso. O estudo mostra uma ligação, mas mais estudos são necessários para confirmar as descobertas.

Os pesquisadores falaram: “Durante o calor, as mulheres grávidas devem ser incluídas como um subgrupo para se ter atenção e tomar precauções extras”, concluiu o estudo.

 

Como fugir do calor

Aftab disse que, em dias quentes, as gestantes devem:

– Evitar a exposição ao sol por muito tempo

– Evitar a exposição direta à luz do sol ficando na sombra.

– Se hidratar, bebendo de 10 a 12 copos de líquidos por dia.

 

Fonte: Live Science