Como a minha memória é formada?

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Doutor Já

Redação
Como a minha memória é formada?

O cérebro humano tem a habilidade fascinante de guardar memórias como nós fazemos com livros em uma estante. A maior parte das vezes nós não pensamos nelas, mas sempre que queremos acessar uma, tudo o que temos que fazer é tirá-la da prateleira.

Do mesmo jeito que nós funcionamos. Nossos cérebros mantêm registros dos lugares, eventos e experiências em um banco de memórias, pronto para ser acessado sempre que quisermos. Várias vezes conseguimos acessar algum evento que ocorreu há muitos anos.

Mas como isso é realmente possível? Há muitos anos era definido pelos Cientistas que o hipocampo é essencial em reativar memórias geográficas e de episódios, enquanto outras regiões do cérebro eram apenas pensadas como detentoras de um papel secundário.

Entretanto, a nova pesquisa do Instituto de Ciência e Tecnologia (IST) na Áustria sugere que talvez possa ter outra parte do cérebro que tem um papel fundamental em recordar memórias.

O estudo examinou o sistema de memória em roedores.

 

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Como nós formamos memórias?

Quando nós vivemos um evento, o nosso cérebro forma uma memória de um episódio. Uma memória episódica é única para cada indivíduo e a localização física de onde estava na hora do evento possui um importante papel na sua formação.

O hipocampo do cérebro é estudado com neurônios chamados células de localização e cada célula de localização corresponde a um ponto específico no ambiente físico ao redor.

“Reportar” ao hipocampo é também uma região chamada córtex entorrinal medial (MEC), que envia dados ao hipocampo e contém as chamadas células da grade. Esses neurônios também respondem a locações específicas no espaço físico ao redor, mas esses locais estão dispostos em um padrão de grade triangular.

Nós, muito provavelmente, consolidamos nossas memórias durante o sono e quando fazemos uma pausa de uma atividade. Isso, pelo menos, no caso de animais que foram observados gerando eventos no hipocampo a uma taxa muito mais acelerada quando dormem ou pausam durante uma tarefa.

Esses eventos são “reproduzidos” no nosso cérebro pela reativação das mesmas células de localização que ativamos quando tivemos a experiência pela primeira vez. Isso ocorre como um resultado de um cerne neural altamente sincronizado, uma atividade do cérebro conhecida como “eventos acentuados de ondas de repercussão” (“sharp wave-ripple events”).

Embora o fato de que o Córtex Entorrinal Medial também possui células que ajudam na localização espacial, o papel dessa parte do cérebro na formação de memórias foi, até agora, subestimada. Pesquisadores acreditam que na consolidação da memória, o hipocampo começa a reprodução, enquanto o Córtex Entorrinal Medial simplesmente ajuda a espalhar a mensagem para o resto do cérebro.

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O córtex entorrinal funciona independentemente do hipocampo?

Nesse último estudo, pesquisadores examinaram a atividade cerebral tanto no hipocampo quanto nas camadas superficiais do Córtex Entorrinal Medial.

Os pesquisadores gravaram a atividade neural dos ratos enquanto eles estavam tentando achar o seu caminho para fora do labirinto. Eles descobriram que para além do hipocampo, o Córtex Entorrinal Medial também estava disparando neurônios durante os estados de sono e de vigília.

Após decodificar a trajetória espacial representada pelos disparos neurais, os pesquisadores descobriram que ela combinava com as trajetórias reais do labirinto.

Surpreendentemente, as sequências do disparo neural do Córtex Entorrinal Medial foram observadas ocorrendo independentemente do hipocampo. Nenhuma repetição do disparo foi detectada no hipocampo no momento em que o Córtex Entorrinal Medial foi ativado.

Esses resultados mudam o nosso entendimento acerca da formação da memória:

“Até agora, o córtex entorrinal foi considerado subserviente ao hipocampo tanto na formação da memória como na recordação. Mas nós mostramos que o córtex entorrinal medial pode reproduzir o padrão de disparo associado ao movimento no labirinto independente do hipocampo. O córtex entorrinal pode ser um novo sistema para a formação da memória que funciona paralelamente ao hipocampo.

“O hipocampo sozinho não domina como as memórias são formadas e reproduzidas. Apesar de serem inter-relacionados, as duas regiões podem recrutar diferentes caminhos e possuir papéis diferentes na memória,” adiciona Joseph O’Neill, primeiro autor do estudo.

Fonte: Medical News Today 

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