Consumo de álcool pode aumentar riscos de câncer

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Redação
Consumo de álcool pode aumentar riscos de câncer

Com a temporada de festividades, as pessoas já estão brindando com força e vigor.

Mas o que a maioria delas pode não perceber é que beber mesmo relativamente pequenas quantidades de álcool pode ser um fator de risco para câncer.

A American Society of Clinical Oncology (ASCO), que representa muitos dos médicos de câncer, espera mudar isso.  

Em uma declaração publicada em 7 de novembro na Journal of Clinical Oncology, o grupo aponta para evidências que até beber pouco pode aumentar o seu risco de câncer na boca e garganta, um tipo comum de câncer esofágico e câncer de mama nas mulheres.

Beber muito ou moderadamente – que inclui bebedeira- aumenta as suas chances de desenvolver não apenas esses cânceres, mas muitos outros também.

A relação entre álcool e câncer é dose-dependente. Isso significa que quanto mais você bebe, maior é o risco.

Então, o que isso significa para a sua saúde… E os seus planos para as festividades?

Álcool e câncer pelos números

A declaração- que é baseada em estudos anteriores publicados- vem em um tempo em que os americanos estão bebendo mais álcool.

Um estudo publicado anteriormente nesse ano no JAMA Psychiatry descobriu que entre 2001 e 2002 e 2012 e 2013, o número de bebedores de alto risco nos Estados Unidos aumentou quase 30%.

Durante esse tempo, o número de pessoas que seriam classificadas como tendo um distúrbio de consumo de álcool aumentou quase 50%.

Um estudo com 4.016 adultos no início desse ano pela ASCO descobriu que enquanto a maioria dos americanos sabe que fumar cigarro e ser exposto ao sol são fatores de risco para câncer, apenas 30% percebeu que consumir álcool é um fator de risco.

A maior parte também não sabia que obesidade e falta de exercício são fatores de risco também.

O risco de câncer devido ao álcool é alto o suficiente para que um estudo anterior tenha estimado que 5% de todos os novos casos de câncer e 5% de todas as mortes por câncer em todo o mundo são devidos ao álcool.

Então, quanto o álcool aumenta o seu risco de câncer?

Isso varia com o tipo de câncer e o quanto você bebe.

Os pesquisadores da ASCO apontam para pesquisas mostrando que, comparado a pessoas que não bebem, o risco de câncer para pessoas que bebem muito aumenta nas seguintes quantidades:

  • Câncer de boca e de garganta: 5,13 vezes
  • Câncer de células escamosas esofágicas: 4,95 vezes
  • Câncer de laringe: 2,65 vezes
  • Câncer de fígado: 2,07 vezes
  • Câncer de mama (feminino): 1,61 vezes
  • Câncer de cólon e reto: 1,44 vezes

Isso significa que na média, pessoas que consomem muito álcool têm um risco cinco vezes maior de desenvolver câncer de boca e garganta durante a vida do que os indivíduos que não bebem.

Esses números são conhecidos como riscos relativos- compara-se o risco de um grupo para isso pelo risco de outro grupo.

Os riscos relativos presumem que padrões de consumo de álcool mantêm-se constantes durante o curso do estudo, apesar disso não ser sempre o caso na vida real.

Os pesquisadores definiram consumir pouco álcool como menos de um drink por dia, consumir moderadamente como um a quatro drinks por dia e consumir muito como mais de quatro drinks por dia.

O National Institute of Alcohol Abuse and Alcoholism define um padrão de bebida como 45 ml de spirits destilados, 150 ml de vinho ou 355 ml de cerveja normal.

Para consumidores moderados de álcool, o aumento do risco de câncer é:

  • Boca e garganta: 1,83 vezes
  • Célula escamosa esofágica: 2,23 vezes
  • Laringe: 1,44 vezes
  • Fígado: 1,08 vezes
  • Mama (feminino): 1,23 vezes
  • Cólon e reto: 1,17 vezes

Até mesmo pessoas que bebem pouco viram um aumento no risco de certos cânceres. Entretanto, para alguns tipos de câncer, o risco era quase o mesmo para os não consumidores de álcool (fígado e colorretal) ou inferior (laringe):

  • Boca e garganta: 1.13 vezes
  • Célula escamosa esofágica: 1,26 vezes
  • Laringe: 0,87 vezes
  • Fígado: 1,00 vezes
  • Mama (feminino): 1,04 vezes
  • Cólon e reto: 0,99 vezes

Riscos do álcool em perspectiva

Entretanto, esses números não contam toda a história.

Imagine que o seu chefe anuncia que todo mundo na companhia terá um aumento de 5%. O seu trabalho foi tão excepcional, entretanto, que você vai ganhar um aumento de 10%.

Parece um bom momento para se gabar na frente do seu gerente.

Mas se o seu gerente ganha 200.000 reais por ano, o aumento dele será de 10.000.  Enquanto 10% do seu salário anual de 50.000 será apenas 5.000.

É do mesmo jeito com o aumento na porcentagem do risco de câncer. Por isso que é útil também conhecer o “risco absoluto” para cada câncer.

O risco absoluto é a chance que você terá de desenvolver um câncer por certo período de tempo, tal como durante os próximos 10 anos.

O National Cancer Institute lista os riscos de vida (absolutos) para os seguintes tipos de câncer:

  • Boca e garganta: 1.1 por cento
  • Esofágico (todos os tipos): 0,5 por cento
  • Laringe: 0,3 por cento
  • Fígado e ducto biliar: 1,0 por cento
  • Mama (feminino): 12,4 por cento
  • Cólon e reto: 4,3 por cento

Então, uma mulher com nenhum outro fator de risco tem cerca de 12%- ou 1 em 8- de chance de desenvolver câncer de mama durante o curso da sua vida.

Isso também significa que na média, 1 em cada 8 mulheres nos Estados Unidos desenvolverá câncer de mama em algum ponto de sua vida.

Combinando o risco absoluto e os relativos, você terá um senso melhor das possíveis desvantagens do álcool.

Para consumidores moderados de álcool, os riscos de câncer de vida ajustados são:

  • Boca e garganta: 2,01 por cento
  • Célula escamosa esofágica: 1,12%
  • Faringe: 0,43 por cento
  • Fígado: 1,08 por cento
  • Mama (feminino): 15,25 por cento
  • Cólon e reto: 5,03 por cento

Quando visto como um risco relativo, beber moderadamente aumenta o risco de câncer esofágico mais do que o câncer de mama. Mas o risco de vida ajustado de câncer de mama é maior porque esse é um câncer muito mais comum, em primeiro lugar.

Os riscos de câncer durante a vida ajustados para as pessoas que bebem pouco são:

  • Boca e garganta: 1,24 por cento
  • Célula escamosa esofágica: 0,63 por cento
  • Faringe: 0,26 por cento
  • Fígado: 1,00 por cento
  • Mama (feminino): 12.90 por cento
  • Cólon e reto: 4,26 por cento

Então, uma mulher que bebe menos de um copo de vinho por dia teria um risco 1-em-23 de câncer colorretal durante o curso de sua vida.

E um risco levemente maior de câncer de mama comparado às mulheres que não bebem álcool.

Para colocar de outra maneira, uma mulher de 40 anos tem o risco de 1,45% de desenvolver câncer de mama pelos próximos 10 anos, de acordo com a BreastCancer.org.

Consumir pouco álcool aumenta esse risco para 1,51%- um aumento de 0,06%.

Usando o que se conhece como “número necessário para prejudicar”, isso pode ser visto como: 1.667 mulheres que não bebem teriam que se tornarem consumidoras de pouco álcool para que um novo caso de câncer de mama ocorra.

Isso significa que 1.666 mulheres não veriam diferença.

Moderação em todas as coisas alcoólicas

Isso é o suficiente para justificar desistir de um copo ocasional de chardonnay?

Ou jogar com as probabilidades e ficar com o seu martini noturno?

Como a declaração da ASCO explica em detalhes, os riscos de câncer devido ao álcool são bem reais.

Mas não é tão claro como os cigarros, onde qualquer quantidade de tabagismo é ruim para você

Um dos autores da declaração da ASCO disse ao The New York Times que o melhor caminho para diminuir o seu risco de câncer é beber menos. E se você ainda não bebe, não comece.

Mas isso pode não significar que você tenha que desistir completamente do álcool.

Outra pesquisa sugere que beber álcool moderadamente pode diminuir o seu risco de doenças cardíacas.

Mas a pesquisa sobre álcool e doenças cardíacas é misturada. Não há garantia do benefício.

O que é claro, entretanto, é que beber em excesso traz muitos riscos, não apenas de doenças cardíacas e câncer, mas também depressão, ansiedade, transtorno no consumo de álcool e doença hepática.

Pessoas que já têm outros fatores de risco de câncer – se é histórico familiar ou obesidade- podem não querer colocar o álcool no topo dessa pilha de riscos.

Mas se você for saudável, a bebida alcoólica ocasional talvez não seja tão ruim assim.

Há também outras maneiras de reduzir o seu risco de câncer, como parar de fumar, se exercitar mais e ter uma dieta mais saudável- todos esses não carregam um risco associado ao álcool.

Fonte: Health Line

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