Dormir mais pode reduzir a vontade de comer algo doce?

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Doutor Já

Redação
Dormir mais pode reduzir a vontade de comer algo doce?

Não é uma surpresa que ficar se revirando na cama ao longo de toda a noite possa fazer uma pessoa se sentir cansada, rabugenta e mal humorada no dia seguinte. Mas perder o mínimo recomendado de 7 horas de sono noturno também está relacionado a várias condições de saúde, como obesidade e doenças cardiometabólicas, que incluem diabetes, doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais, de acordo com o estudo, publicado hoje (9 de janeiro ) na American Journal of Clinical Nutrition.

Pesquisas anteriores mostraram que mais de um terço dos adultos estadunidenses dormem por 6 horas ou menos a cada noite- menos do que o recomendado de 7 a 9 horas, de acordo com o estudo. Com isso em mente, os pesquisadores escolheram analisar se uma consulta de sono poderia ajudar os adultos a dormirem mais e, isso sendo feito, como poderia afetar a ingestão diária de nutrientes.

No estudo, os pesquisadores recrutaram 21 indivíduos para uma consulta de sono de 45 minutos com o intuito de prolongar o tempo de sono até 1,5 horas por noite. Outro grupo de 21 participantes também foi recrutado, mas não recebeu intervenção nos seus padrões de sono, portanto, serviram como o grupo de controle, de acordo com o estudo.

Foi pedido que todos os participantes registrassem os seus padrões de sono e alimentares por 7 dias. Durante esse tempo, os participantes também usaram sensores de movimento nos seus pulsos que mediram a quantidade exata de sono que cada um teve em cada noite, como também, a quantidade de tempo que eles gastaram na cama antes de realmente caírem no sono.

Os resultados mostraram que os participantes, que aumentaram a quantidade de sono que tiveram a cada noite, reduziram o consumo de açúcar em até 10 gramas no dia seguinte em comparação com a quantidade de açúcar que consumiram no início do estudo. Esses participantes também tiveram uma menor ingestão diária de carboidratos do que o grupo que não ampliou seus padrões de sono, o estudo descobriu.

“O fato de que estender as horas dormidas levou a uma redução na ingestão de açúcares adicionados, pelo qual nos referimos aos açúcares que são adicionados aos alimentos pelos fabricantes ou na cozinha em casa, bem como açúcares em mel, xaropes e suco de frutas, sugere que uma simples mudança no estilo de vida pode realmente ajudar as pessoas a terem dietas mais saudáveis,” a autora sênior do estudo Wendy Hall, professora sênior do Departamento de Ciências da Diabetes e Nutrição no King’s College London, disse no comunicado.

O grupo que dormiu mais recebeu uma lista com sugestões sobre como ajudá-los a dormir melhor, tal como evitar cafeína antes da hora de dormir, estabelecer uma rotina relaxante e não ir à cama muito cheio ou com fome-  bem como  a recomendação de uma hora de dormir adequada ao seu estilo de vida.

“A duração do sono e a sua qualidade é uma crescente área de preocupação da saúde pública e foram ligadas como fatores de risco para várias condições,” a principal pesquisadora Haya Al Khatib, professora do Departamento de Ciências Nutricionais do King’s College London, disse no comunicado. “Nós mostramos que hábitos de dormir podem ser alterados com relativa facilidade em adultos saudáveis usando uma abordagem personalizada.”

Sobre tudo, os resultados do estudo mostraram que 86% dos participantes que receberam conselhos acerca do sono aumentaram o tempo total gasto na cama e 50% dos participantes prolongaram a duração do sono em aproximadamente 52 a 90 minutos por noite, comparando com o grupo controle. Além disso, três participantes do grupo de extensão do sono alcançaram uma média semanal dentro das 7 a 9 horas recomendadas, disseram os pesquisadores.

Entretanto, os pesquisadores notaram uma ressalva nas suas descobertas: os dados sugeriram que a quantidade prolongada de sono pode ter sido de menor qualidade do que o sono dos participantes no grupo de controle. Isso é provável porque qualquer nova rotina requer um período de ajustamento, disseram os pesquisadores.

“Os nossos resultados também sugerem que aumentar o tempo gasto na cama por uma hora ou mais pode levar a escolhas alimentares mais saudáveis,” disse Al Khatib na declaração. “Isso fortalece ainda mais a ligação entre poucas horas dormidas e dietas de má qualidade que já foi observada em estudos anteriores. Nós esperamos investigar essa conclusão ainda mais com estudos de longo prazo que examinam a ingestão de nutrientes e a aderência contínua aos comportamentos de extensão do sono mais detalhadamente, especialmente em populações em risco de obesidade ou doenças cardiovasculares.”

Fonte: Live Science

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