Já pensou se o suicídio pudesse ser previsto?

Doutor Já Avatar

Doutor Já

Redação
Já pensou se o suicídio pudesse ser previsto?

Suicídio é a 10ª maior causa de morte nos Estados Unidos. A cada ano, cerca de 44.193 estadunidenses tiram suas próprias vidas- o que é equivalente a 121 suicídios a cada dia.

Fatores de risco para tal comportamento incluem sentimentos de depressão, ansiedade e estresse, uma história de doença mental e uma história de abuso de drogas e álcool.

Demonstrar agressão aumentada, isolamento, ou um uso maior de drogas e álcool, ou conversar sobre suicídio ou ser um fardo para o outros podem ser sinais de alerta para o suicídio.

Entretanto, o único caminho para saber se a pessoa irá realmente cometer suicídio é identificar o que está passando em sua mente. Um novo estudo pode ter descoberto um jeito de fazer exatamente isso.

Pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon (CMU) e da Universidade de Pittsburgh – ambos em Pittsburgh, PA- criaram um método de imagem cerebral que pode distinguir precisamente entre indivíduos com ou sem pensamentos suicidas.

O co-autor do estudo Marcel Just, do departamento de psicologia da CMU, e colegas recentemente noticiaram seus resultados no jornal Nature Human Behaviour.

Usar fMRI (ressonância magnética funcional) para prever risco de suicídio

Para o seu estudo, os pesquisadores inscreveram 34 participantes. Desses, 17 tinham tendências suicidas e 17 foram indivíduos de controle.

Os participantes foram apresentados a três listas de dez palavras. Uma incluía palavras com associações negativas (como, “maldade”, “crueldade” e “problema”), uma incluía palavras positivas (como, “bondade”, “despreocupação” e “elogio”), enquanto a terceira incluía palavras relacionadas a suicídio (como, “morte”, “desesperança” e “perturbado”).

Quando os indivíduos tiveram as listas mostradas, eles foram submetidos à ressonância magnética funcional do cérebro, o que permitiu que os pesquisadores monitorassem sua resposta neural a cada palavra.

Os cientistas descobriram que as respostas neurais a 6 palavras- “morte”, “maldade”, “problema”, “bondade”, “despreocupação” e “elogio”- em cinco regiões específicas do cérebro eram melhores para distinguir entre participantes com tendências suicidas e os controles.

Ao treinar um “algoritmo de aprendizagem em máquina” para usar esses dados, os pesquisadores descobriram que foram capazes de identificar indivíduos com e sem tendências suicidas com 91% de precisão.

Depois, o time dividiu aqueles com tendências suicidas em dois grupos: aqueles que tinham tentado cometer suicídio e aqueles que não tinham. Eles descobriram que o algoritmo era capaz de distinguir entre esses dois grupos com 94% de precisão.

Identificando as emoções por trás das palavras

Os pesquisadores, então, se propuseram a determinar os mecanismos por trás das variadas respostas neurais entre os participantes com tendências suicidas e o grupo de controle.

Especificamente, eles queriam descobrir quais emoções eram evocadas quando os sujeitos pensavam nessas 6 palavras que foram usadas para identificar ideias suicidas e comportamento.

Para alcançar suas descobertas, o time adicionou assinaturas neurais para diferentes emoções- incluindo tristeza, raiva, vergonha e orgulho- ao seu algoritmo de aprendizagem em máquina.

Eles descobriram que o novo algoritmo era 85% preciso na identificação de quais sujeitos tinham tendências suicidas.

“O benefício dessa última abordagem,” diz Just, “algumas vezes chamada de inteligência artificial explicável, é revelar mais o que discrimina os dois grupos, nomeadamente os tipos de emoções que as palavras discriminatórias evocam.”

“Pessoas com pensamentos suicidas experimentam diferentes emoções quando elas pensam sobre alguns dos conceitos do teste,” ele continua. “Por exemplo, o conceito de “morte” evoca mais vergonha e tristeza no grupo que pensava sobre suicídio.” Esse pouco mais de entendimento pode sugerir um caminho para o tratamento que tenta mudar a resposta emocional para certos conceitos.

Uma ferramenta para prever o suicídio?

Os pesquisadores notam que os seus resultados precisam ser reproduzidos em uma corte maior, mas eles acreditam que a técnica é uma promessa de identificar pessoas que têm alto risco de comportamento suicida.

“O teste futuro dessa abordagem em uma amostra maior determinará sua generalidade e sua capacidade de prever o comportamento suicida futuro e poderá dar aos clínicos no futuro uma maneira de identificar, monitorar e, talvez, intervir com o pensamento alterado e muitas vezes distorcido que tão frequentemente caracteriza sérios indivíduos suicidas.”

– Co-autor do estudo David Brent, Universidade de Pittsburgh

Barry Horwit- o chefe da Seção de Modelagem e formação de imagem de Cérebro no Instituto Nacional de Surdez e Outros Transtornos da Comunicação, que faz parte dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH)- comenta o algoritmo em um editorial que acompanha o estudo.

Ele diz que se os resultados do estudo forem confirmados em futuras pesquisas, “então, pode-se concluir que a neuroimagem funcional tem potencial para se tornar uma importante ferramenta médica para o diagnóstico e/ou avaliação da eficácia do tratamento de transtornos psiquiátricos.”

Fonte: Health

Se precisar de consultas com psiquiatras, conte com a gente!