O meu filho adolescente tem autismo

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Doutor Já

Redação
O meu filho adolescente tem autismo

Quebrando o silêncio

“Todo pai que tem um filho autista se pergunta como será quando chegar a puberdade, ou como ele será no ensino médio, ou depois de se formar. Eu vi canais no YouTube apresentando o autismo como um tópico, mas eles sempre mostravam bebês ou crianças.” disse Chadd, pai de um menino autista.

Chadd percebeu um grande vazio de canais que mostrassem as experiências de adolescentes ou adultos com autismo.

 

Na mídia

A Netflix também percebeu essa lacuna e lançou uma série que aborda o autismo na adolescência: Atypical. A série conta como é a vida de Sam, um jovem no espectro autista e como é a vivência de seus amigos e família. O programa “Conversa com Bial”, da Globo, também tratou do assunto. Amanda, diagnosticada com autismo, explica alguns sintomas de seu próprio ponto de vista e a mãe, um jornalista e uma psicóloga complementam o bate papo.

Em 2008, Chadd decidiu acabar com esse vazio. Ele começou o Kimock7, que naquela época era um mix de vídeos do Chadd cantando, tocando guitarra e fazendo cenas, como também vídeos do Chase, o filho.

 

A rotina

Um vídeo em 2016, quando Chase tinha 16 anos, fez o canal bombar. “Nós estávamos sentados no sofá e eu peguei Chase de bom humor. Muito envolvido na conversa, rindo e sorrindo,” diz Chadd. “Ele continuou tentando me convencer a levá-lo para casa de amigo” Chadd decidiu, então, gravar a conversa.

“Pode ser muito difícil conversar com o seu filho que tem autismo de médio funcionamento,” diz Chadd. “No vídeo, você pode ver minha felicidade. Aqui está o meu filho: um menino de 16 anos completamente feliz. Muitas pessoas não vêem essa possibilidade do autismo.”

 

Botando fim no estereótipo

“As pessoas escutam a palavra ‘autismo’ e acham é uma coisa triste e terrível. Eu sou capaz de mudar essas opiniões no YouTube e ao redor do mundo,” diz Chadd. “Isso virou o meu objetivo.”

Chadd posta vídeos regularmente dele com o Chase interagindo tanto dentro como fora de casa, documentando a realidade do dia a dia do autismo. Ele também posta vlogs que mostram como o Chase lida com os seus sintomas do autismo. Os vídeos inspiram centenas de comentários por dia, como também cartas.

 

Ajudando os pais

O diagnóstico de autismo é toda emoção que você pode imaginar, desde choque, horror e incerteza até tristeza, depressão, solidão e isolamento,” diz Chadd.

“Para muitos pais é difícil aceitar que o seu filho tenha autismo. Ele não vai poder participar de times e você provavelmente não poderá levá-lo a uma partida de futebol.  Provavelmente não poderá sair com os seus amigos e os filhos deles, porque as crianças não terão autismo e, muito provavelmente, acharão difícil se relacionar com o seu filho,” diz Chadd. “O pai sente muito choque e mágoa.”

Os pais costumam dizer a Chadd que seus vídeos ajudam a mostrar maneiras de interagir com seus filhos. As atividades de Chase – como desenhar ou jogar no computador – são muitas vezes solitárias e não verbais. Apesar disso, Chadd diz que encontrou maneiras de se envolver.

 

Planejando o futuro

À medida que qualquer criança cresce, diferentes desafios começam. E enquanto muitos pais tentam guardar dinheiro para os estudos de seus filhos, Chadd diz que pais como ele têm outras preocupações: “Uma criança com autismo normalmente não faz faculdade.”

 

O que Chadd espera para o futuro de Chase?

Ele está feliz em observar que Chase vai se formar no ensino médio em junho. Mas enquanto Chase tem um longo caminho a percorrer, Chadd espera que um dia ele possa ser totalmente independente e ter um emprego.

“Eu sou apenas o diretor por trás das cenas. No final, é Chase fazendo tudo, mesmo que ele não consiga compreender o impacto que está causando em todo o mundo,” diz Chadd.

 

Fonte: Healthline e adaptações