O que fazer quando meu bebê está com muita cólica?

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Redação
O que fazer quando meu bebê está com muita cólica?

 

 

Cólica não é um sinal de que seu bebê esteja doente

Nós esperamos que bebês chorem.  Mas alguns recém-nascidos, cerca de 15 a 20 por cento,  choram muito mais do que outros.   Quando esses bebês saudáveis choram excessivamente e inconsolavelmente sem nenhuma razão aparente—eles não estão doentes, com fome, molhados, cansados, com calor, ou frio, mas estão inexplicavelmente infelizes—pediatras chamam isso de cólica. “Não é realmente um diagnóstico; é uma observação comportamental.” Diz Harvey Karp, doutor em medicina, criador do DVD e livro, O Bebê Mais Feliz Do Pedaço.

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Cólica é um pouco subjetiva e se o choro do seu bebê é “mediano” ou “excessivo” pode depender do quanto você pode suportar. Mas pediatras geralmente usam a “regra dos três” para determinar cólica: lutas com o choro que começam quando o bebê tem 3 semanas de idade (geralmente no final do dia, apesar de que podem ocorrer em qualquer horário), duram mais de 3 horas por dia, em mais de 3 dias por semana, por mais de 3 semanas seguidas. Normalmente atinge um máximo de 6 a 8 semanas e diminui de 3 a 4 meses.

Cólica não é um sinal de que seu bebê esteja doente, entretanto, coisas como refluxo, alergias alimentares e exposição à fumaça de cigarro podem causar futuras lágrimas e agravações. Nem é um sinal que seu bebê tem dor de barriga, embora a forma como faz caretas, aperta o corpo, arqueia as costas, puxa as pernas para cima e grita até ficar roxo, podem parecer que é. Crianças com cólica podem ter gases. Mas, atualmente, pediatras acreditam que chorar causa gases, ao invés do contrário, porque bebês engolem ar quando estão chorando. Um jeito de dizer se seu bebê está com dor ou cólica: distraia-o.  “Más dores de barriga não vão embora quando você dança, ligue um secador de cabelo ou vá dar uma volta de carro,”, Dr. Karp diz, “então, se sua criança ficar melhor, você sabe que não é gases nem dor.”

 

O que causa cólica?

O que causa cólica – e por que alguns bebês experienciam e outros não—continua sendo um mistério. Alguns médicos enxergam como um estágio natural do desenvolvimento que bebês podem passar enquanto se ajustam a todas as diferentes sensações e experiências que vêm com a vida fora do útero. (Dr. Karp chama isso de “quarto trimestre”.) Outros atribuem a um desequilíbrio de bactérias no intestino.

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Outra teoria é que a cólica decorre de um desequilíbrio de produtos químicos do cérebro, melatonina e serotonina. Bebês com cólica podem ter mais serotonina, o que faz os músculos intestinais contraírem, diz Marc Weissbluth, doutor em medicina, professor de clínica pediátrica Northwestern University School of Medicine (Faculdade de Medicina da Universidade Noroeste) e autor de Seu Bebê Inquieto (Your fussy baby- Ballantine). (Uma razão pelas quais os bebês com cólica podem ficar mais inquietos à noite, ele explica, é que o nível de serotonina tem seu pico à noite.) Esse desequilíbrio, segundo a teoria, resolve-se naturalmente quando os bebês passam a produzir melatonina, o que relaxa os músculos intestinais. Bebês obtêm bastante melatonina da mãe no útero, mas os níveis caem depois do nascimento até o próprio bebê começar a produzi-lo com 3 a 4 meses— curiosamente,  ao mesmo tempo em que a cólica desaparece. “Essa hipótese precisa tranqüilizar as mães que elas não causam cólica,” diz Dr. Weissbluth. “Faz com que a culpa, de estar fazendo algo errado e não ser capaz acalmar seu bebê, vá embora”

 

Quais efeitos a cólica tem em meu bebê e na família?

Apesar de não ser nociva por si só, a cólica ainda pode prejudicar. Para começar, coloca uma  pressão terrível nos novos pais. “Levou a mim e ao meu marido à terapia,” confessa Catherine McManus, uma mãe de Oviedo, Flórida. O choro excessivo também está associado à desistência da amamentação, bebês medicados em excesso, depressão pós-parto e Síndrome do Bebê Sacudido.

Cólica acaba alterando os nervos, mas ajuda lembrar que é apenas temporário. Seu filho pode ter uma condição médica subjacente (como reflexo, alergia, hérnia ou uma infecção do trato urinário) que resta ser diagnosticado— uma forte possibilidade se ele ainda estiver chorando inconsolavelmente após 4 meses. Mas exceto isso, a boa notícia é que provavelmente não tem nada de errado com o seu bebê. A notícia ruim é que não há muito o que fazer a não ser esperar e tentar algumas táticas para calmantes.  

 

Táticas calmantes

Algumas dessas técnicas podem te ajudar a acalmar seu bebê choroso enquanto você espera a cólica passar. Mas lembre-se, muitas delas são tentativa e erro. “Alguns bebês vão responder a muitas dessas intervenções, alguns bebês não vão responder a nenhuma e muitos bebês vão responder apenas algumas vezes,” diz Larry Scherzer, doutor em medicina, professor assistente de pediatria no Centro de Saúde da Universidade de Connecticut, em Farmington. “Geralmente, no momento que você tenta de tudo, o bebê tem idade suficiente para que muitos dos choros tenham cessado.”

Bebês têm um reflexo inato que é acionado quando fazemos coisas que imitam a vida dentro do útero. “É como um interruptor de desligar o choro” Dr. Karp diz. Algumas técnicas que podem ajudar são envolver o bebê, falar alto “sh” no ouvido do bebê, balançar o bebê, permitir ao bebê sugar chupeta, deitar-lo de lado ou no estômago (em seu antebraço ou colo com a cabeça dele apoiada na sua mão). “Eu nunca tive um filho que não se acalmasse com essas técnicas, a menos que estivesse doente,” diz Dr. Karp.

Embora Dr. Karp mantenha que o reflexo calmante é melhor ativado quando você faz todas as técnicas juntas, os pais também podem obter resultados com estratégias escolhidas. E você pode tentar variações infinitas de balançar, segurar, envolver e táticas sonoras. Christy Smith, de Jacksonville, na Flórida, diz que todos os seus três filhos mais velhos paravam de chorar quando ela fazia essa técnica: coloque a barriga do bebê no antebraço, com a cabeça apoiada na palma da mão e depois balance-o de um lado para o outro enquanto esfrega as costas. Smith planeja fazer isso se seu bebê de duas semanas desenvolver cólica. “Isso fica cansativo, mas espere porque geralmente adormecem dentro de 5 minutos”, ela diz.

Quando sua bebê Jesse, hoje com 2 anos, gritava rotineiramente das 3 da tarde até às 10 da noite, Carla Pennington-Cross descobriu que o balanço exagerado acalmava-a. “Meu marido balançava Jesse enquanto seus braços agüentavam,” a mãe Milwaukee diz. “Se alguém fizesse isso comigo, eu vomitaria. Mas Jesse ficaria deitada lá, em paz nos braços de seu pai até o segundo em que o balanço parasse. Então, ela começaria a gritar novamente.” Para Isadora Kaye, agora com 2 anos, ser embalada pela mamãe ou papai enquanto eles gentilmente quicavam numa bola de exercício resolvia o problema. “Balançá-la enquanto você anda funciona bem, mas é exaustivo, ” diz a mãe Caroline, de Cold Spring, Nova Iorque. “Isso aquietava-a e eu conseguia ficar tranqüila. Era maravilhoso.”

Jessica Ziegler, de Highlands Ranch, Colorado, usava o assento do carro como um envolvedor modificado quando seu filho Holden, hoje com 3 anos, estava com mais cólica. “Ele dormia melhor em seu assento no carro do que em qualquer outro lugar,” ela diz. “Ele não precisava estar no carro, mas tinha que estar na sua cadeirinha para carro.” E para Andrea Raymond, de Oak Grove, Missouri, um transportador infantil era apenas o ponto de partida para a sua filha mais velha, Bayley, agora com 5 anos, que “chorou do momento em que nasceu até fazer 3 meses.” A verdadeira mágica era a vibração barulhenta—Bayley dormia profundamente se estivesse em seu transportador em cima de uma secadora ligada, com algum dos pais mantendo-a firme.

Outros pais tiveram sucesso com CDs de barulhos brancos ou com estática de estação de rádio, um aspirador de pó ligado ou, até mesmo, o som de água corrente no chuveiro ou lava-louças. Apesar de você achar esses barulhos altos, bebês os acham reconfortantes porque se aproximam com o que eles ouviam no útero. “Dentro do útero, barulhos são mais altos que um aspirador de pó,” diz Dr. Karp.

Uma boa música normal também pode funcionar. Shari Smith, uma mãe de Orlando, descobriu que ela podia acalmar seu filho mais velho, Eli, com a música da abertura de O Ursinho Pooh. “Sua enfermaria tinha o tema do Pooh, logo, ele tinha vários brinquedos que tocavam a música,” ela diz, “O móbile em cima de sua cama tocava também, então ele ouvia-a a partir do momento em que nasceu. Porque ele reconhecia a melodia, ele acalmava-se quando a tocávamos ou a cantávamos.”

Para alguns bebês o choro pode ser travado simplesmente segurando-os o máximo possível em canguru ou elásticos. “Segurar e balançar não vai mimar o bebê,” assegura Dr. Karp. “No útero, bebês são segurados e balançados 24 horas por dia sempre, então, mesmo se você segurar seu bebê 18 horas por dia, que parecem como eternidade para você, é uma significante redução para seu bebê.” De fato, um estudo do jornal Pediatrics descobriu que os bebês que são segurados pelos seus pais por cerca de 16 horas e meia por dia choram a metade do que aqueles que são segurados por 8 horas, diariamente, pelos seus pais.  

 

Mais técnicas calmantes

Não tenha medo de dar uma pausa

McManus ainda relembra vividamente o dia que sua filha, Caitlin, tinha 7 semanas de vida e estava tão desanimada que, finalmente, colocou sua filha no berço e foi embora. “Eu não podia mais lidar com aquilo.” admite McManus.”Eu disse,’eu te amo, mas eu tenho que me afastar de você nesse momento.’ É horrível dizer isso para o seu pequeno bebê. Mas você está exausta, fez tudo que podia e você chegou ao seu limite.” Sentar fora por 10 minutos, enquanto ainda estava ao alcance do ouvido, permitiu que McManus se reagrupasse. “Eu disse para mim mesma que eu ficaria bem. Então, eu voltei lá pra dentro, a peguei e tentei acalmá-la novamente.”

Mães de primeira viagem, geralmente, sentem-se culpadas ou auto-indulgentes por querer um tempo de seus recém-nascidos. Mas médicos dizem que colocar o bebê em um local seguro, como o berço ou cercadinho, e se afastar – até por alguns minutos- para tomar banho, escovar os dentes, fazer um pouco de chá ou ligar para um amigo ou conselheiro é exatamente o que você precisa fazer quando o choro ameaça empurrá-lo para além do seu limite. “Não é egoísmo, é inteligente,” diz Dr. Weissbluth. Isso ocorre porque há uma forte associação entre choro excessivo e ferimento infantil. Uma pesquisa com pais de mais de 3250 bebês na Holanda revelou que mais de 5 por cento esbofetearam, sufocaram ou agitaram seu bebê pelo menos uma vez porque ele ou ela estava chorando.

 

Consiga alguma ajuda

Ache pelo menos meia hora por dia que seja apenas sua. Recrute seu esposo, avôs, irmãos, amigos de confiança, ou uma babá para te ajudar com seu bebê—entretanto é uma boa ideia avisá-los sobre o que esperar para eles não reagirem exageradamente. Pennington-Cross cedeu a rotina noturna ao seu marido.”Ele colocava Jesse em um carrinho e eu ficaria de uma hora a 90 minutos por noite para ler as notícias ou ficar no computador e jogar videogames,” ela diz. Outra ideia, conecte-se a um grupo de mães, pessoalmente ou online, para você não se sentir isolada. “É fácil se convencer de que você é a única, que tem algo errado com você e que as pessoas acham que você é um mau pai porque você não consegue fazer seu bebê parar de chorar,” diz Laura Jana, doutora em medicina, co- autora Heading Home with Your Newborn (Academia Americana de Pediatras). “Conseguir suporte permite que você mantenha sua sanidade, te dá uma distância e um pouco de perspectiva.”

 

É doença ou cólica?

Se o choro do seu bebê é incessante, sem dúvida você já consultou seu pediatra várias vezes. “Apesar de cólica ser normal, não é algo com que você deva deixar quieto, porque há bebês que têm algo a mais,” diz Dr. Scherzer. Além da agitação, outras bandeiras vermelhas podem indicar uma condição médica mais séria incluindo vômitos freqüentes, febre, fezes soltas ou sangrentas, pouco aumento de peso e alimentação, eczema e letargia. Mantenha um diário que acompanhe a frequência com que seu bebê chora, dorme, come, faz xixi e cocô. Qualquer dificuldade em alimentar ou cuspir pode ajudá-lo a descobrir se há um padrão para o choro.

 

Fatos e Falácias sobre cólica

Mito: bebês com cólica crescem para ser infelizes.

Fato: “A cólica não é a característica definidora da personalidade do seu bebê” diz Dr. Jana. “Uma vez que a cólica passa, seu bebê pode ter uma personalidade completamente diferente—corajoso, sensível, rabugento. Mas a cólica não vai te dizer qual, porque não se transfere.”

 

Mito: cólica resulta da super estimulação.

Fato: As crianças com cólica choram porque sentem falta do barulho e do estímulo no ventre materno. “Se você as levar a um jogo de basquete barulhento, elas geralmente vão dormir”, observa o Dr. Karp.

 

Mito: A ansiedade de ser pai de primeira viagem faz com que seu bebê chore.

Fato: “Bebês não são tubarões na água, eles não podem cheirar sua ansiedade,” diz Dr. Karp. O que eles podem entender: temperatura corporal e o quão relaxado você está—ou não. “Quando você está ansioso, você pode pular de uma coisa para outra porque você está inseguro e eles podem sentir isso”, ele acrescenta.

 

Mito: Medicações podem aliviar cólica.

Fato: Alguns pais pensam que a difenidramina, um anti-histamínico também vendido como um calmante ajudará a acalmar as lágrimas. Mas faz com que alguns bebês chorem mais. Medicamentos para refluxo, frequentemente, também não ajudam– apenas cerca de 2 por cento dos bebês com cólicas têm o tipo que justifica o uso de medicamentos. “Os médicos sabem melhor, mas sob a pressão dos pais muitas vezes medicam essas crianças”, diz o Dr. Weissbluth.

 

Fonte: Parents

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