Os primeiros 7 anos de vida realmente significam tudo?

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Redação
Os primeiros 7 anos de vida realmente significam tudo?

 

Nos primeiros anos de vida

O cérebro se desenvolve rapidamente nos primeiros anos de vida. Antes das crianças fazerem 3 anos, elas já estão formando 1 milhão de conexões neurais a cada minuto. Essas ligações se tornam o sistema de mapeamento do cérebro, formado por uma combinação de natureza e nutrição, especialmente as interações de “servir e retribuir”.

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No primeiro ano de vida do bebê, os choros são sinais comuns que mostram que o filho precisa de cuidados da pessoa responsável.  A interação de “servir e retribuir” aqui é quando o cuidador responde ao choro do bebê, alimentando-o, mudando a fralda, ou balançando-o para dormir.

Entretanto, conforme os bebês vão crescendo e se tornam crianças, as interações “servir e retribuir” podem ser expressas através de jogos de faz-de-conta também. Essas interações dizem às crianças que você está prestando atenção e está comprometido com o que eles estão tentando dizer. Isso pode constituir a base da forma como a criança aprende as normas sociais, as habilidades de comunicação e como estabelece relacionamentos.

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As conexões neurais são como as raízes de uma árvore, a base a partir da qual todo o crescimento ocorre. Isso faz parecer que os motivos de estresse da vida – como preocupações financeiras, relacionamentos passando por dificuldades e doenças – afetarão severamente o desenvolvimento do seu filho, especialmente se eles interromperem suas interações de “servir e retribuir”.

Perder algumas interações de “servir e retribuir” ocasionalmente não prejudicará o desenvolvimento cerebral dos nossos filhos. Isso ocorre porque os momentos “perdidos” descontínuos nem sempre se tornam padrões disfuncionais. Mas para os pais que estão sempre sob estresse, é importante não negligenciar o envolvimento com seus filhos durante esses primeiros anos de vida.

Ao prestar atenção ao momento presente e limitar as distrações diárias, nossa atenção reconhecerá mais facilmente os pedidos de conexão de nosso filho.

 

Os estilos de ligação/conexão afetam a forma como alguém desenvolve futuros relacionamentos

Os estilos de conexão são outra parte crucial do desenvolvimento da criança. Após a condução de um estudo, foi observado que os bebês podem ter quatro estilos de ligação:

– Seguro
– Inseguro
– ansioso
– Ansioso
– Evitando
– Desorganizado

Foi descoberto que as crianças seguras se sentem angustiadas quando o cuidador sai, mas confortadas após seu retorno. Por outro lado, as crianças inseguras-ansiosas ficam chateadas antes que o cuidador saia e carentes quando retorna. As crianças ansiosas evasivas não ficam chateadas com a ausência do cuidador, nem ficam encantadas quando ele volta a entrar na sala. Depois, há a ligação desorganizada. Isto se aplica a crianças que são abusadas fisicamente e emocionalmente. A conexão desorganizada torna difícil para as crianças se sentirem confortadas pelos cuidadores – mesmo quando os cuidadores não são prejudiciais.

As crianças seguramente ligadas podem se sentir tristes quando os pais saem, mas conseguem continuar confortadas por outros cuidadores. Elas também ficam encantadas quando seus pais retornam, mostrando que elas percebem que os relacionamentos são dignos de confiança e confiáveis. À medida que crescem, as crianças com vínculo seguro confiam nos relacionamentos com seus pais, professores e amigos para orientação. Elas vêem essas interações como lugares “seguros” onde suas necessidades são supridas.

Os estilos de ligação são definidos no início da vida e podem afetar a satisfação no relacionamento de uma pessoa na idade adulta. Por exemplo, os adultos cujos pais cuidaram de suas necessidades de segurança, fornecendo comida e abrigo, mas negligenciaram suas necessidades emocionais, são mais propensos a desenvolverem um estilo evasivo-ansioso.

Esses adultos muitas vezes temem um contato muito próximo e podem até “rejeitar” outros para se protegerem da dor. Adultos inseguros-ansiosos podem ter medo do abandono, fazendo com que sejam hipersensíveis à rejeição. Entretanto, ter um estilo específico de conexão não é o fim da história. É possível desenvolver padrões mais saudáveis de ligação através da terapia.

 

Com 7 anos, as crianças estão juntando as peças

No momento em que as crianças começam a cursar o primeiro ou segundo ano, elas começam a se separar dos cuidadores primários através dos amigos que fazem por conta própria. Elas também querem ser aceitas pelos colegas e estão mais bem equipadas para falar sobre seus sentimentos.

As crianças com 7 anos também podem perceber um significado mais profundo nas informações que as rodeiam. Elas podem falar em metáfora, refletindo uma capacidade de pensar de forma mais ampla.

 

O “bom o suficiente” é bom o suficiente?

Pode não soar aspirativo, mas criar os nossos filhos de forma “boa o suficiente” – isto é, cumprindo as necessidades físicas e emocionais deles, alimentando-os, colocando-as na cama todas as noites, respondendo a sinais de angústia e desfrutando momentos de prazer – pode ajudar as crianças a desenvolverem conexões neurais saudáveis.

Tal mãe tal filha; filho de peixe, peixinho é – de muitas maneiras, essas palavras antigas são tão verdadeiras quanto às de Aristóteles. Como pais, não podemos controlar totalmente o bem-estar dos nossos filhos. Mas podemos configurá-los para o sucesso, comprometendo-os a um adulto confiável. Podemos mostrar-lhes como administramos grandes sentimentos, de modo que, quando experimentarem seus próprios relacionamentos, divórcios ou estresse no trabalho, eles possam pensar em como mamãe ou papai reagiram quando eram jovens.

Fonte: Healthline

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