Saúde mental dos jogadores de futebol

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Doutor Já

Redação
Saúde mental dos jogadores de futebol

Vida ou morte

Há pouco tempo, o problema da saúde mental no futebol foi colocado de novo sob holofotes. Uma pesquisa desenvolvida na Noruega mostra que 4 em cada 10 jogadores de elite sofreram de depressão e ansiedade.

Os resultados chocaram o chefe da organização de futebol da Noruega, que afirmou ser “uma questão de vida ou morte”.

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Abrindo o jogo

Vários jogadores famosos falaram sobre o assunto, incluindo Steven Caulker. Ele descreveu a sua própria luta contra problemas de saúde mental e vício.

Os resultados da pesquisa mostraram que 43,8% dos participantes disseram que sofriam de ansiedade ou depressão. Um quarto deles tem problemas para dormir e quase 7% disse que tinham relações problemáticas com álcool.

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Velhos conhecidos

Os sintomas são familiares para Thorstein Andersen Aase, que deu as costas ao futebol de primeira classe aos 20 anos. Aase sofreu um longo período de ansiedade por causa das suas atuações.

“As falhas na minha motivação progrediram para sintomas característicos de depressão e angústia. Quando parei de jogar, eles sumiram” ele disse em uma entrevista.

“No dia seguinte, eu dormi como um bebê, e eu não tinha dormido bem em um ano e meio.”

Não preparado mentalmente

Frequentemente visto como um dos melhores novos talentos no futebol norueguês, Aase estourou cedo. Apesar de achar que estivesse pronto tecnica e taticamente, mentalmente não estava pronto para esse avanço.

“A mudança no futebol superior é pesada. Fazer essa mudança aos 16, é ser exigente. Você geralmente a faz sem o clube ter a capacidade/competência de ajudar,” ele explicou.

“A minha experiência é que tudo depende das circunstâncias; eu sempre fui bem cuidado socialmente, mas tinha outras necessidades pessoais que o clube não sabia. Elas nunca eram examinadas.”

Novo foco

Aase, aos 25 anos, disse que os clubes agora devem focar mais no bem estar mental dos jogadores, ao invés de somente concentrar na sua saúde física.

“Há uma hipótese de seleção (no esporte) que forma a base, e que os estudos mostraram estar errada, ou seja, se você é selecionado por seus talentos técnicos e táticos, então você também tem os talentos mentais automaticamente, e isso não é necessariamente verdade.”

Preocupado que fosse dispensado se falasse dos seus problemas de saúde mental com os seus treinadores, Aase lutou, mas, eventualmente, decidiu sair do Stabeak,caindo para a série C da Noruega para jogar com os amigos no clube KFUM em Oslo, e o seu amor pelo jogo retornou.   

Aliviado

Muitos ficariam desapontados por terem que abandonar o seu sonho de se tornar um jogador profissional, mas Aase não.

“Eu estou aliviado, porque (a vida de um jogador profissional de futebol) não serve para mim,” ele explicou. “Você tem que percorrer um longo caminho de volta para encontrar a encruzilhada. Eu tenho muitos amigos que jogam no exterior e para a seleção, e vejo que muitos deles estão felizes com as suas vidas. Ao mesmo tempo, eu ouço e vejo muitos que não tem a mesma opinião agora quando profissionais em comparação com o que achavam antes.”

Equilíbrio

Agora, estudando psicologia, Aase disse que a chave para ajudar os talentos do futuro está em cuidar das necessidades do indivíduo, e não apenas as das equipes.

“Temos que pensar em construir com cuidado, não apenas pensando no técnico e no tático, mas também no talento mental individual”, ele disse.

“Eu não estou dizendo que devemos deixar todo mundo fazer o que quiser, mas nós estamos bem distantes de um meio termo, onde adaptamos o ambiente aos indivíduos e a maneira que podemos ajudá-los.”  

Fonte: Reuters